Arteterapia: uma ponte feita à mão para autoconhecimento

A arte nos permite conversar com as personagens de nossa psique e nos leva às fronteiras da própria consciência com o inconsciente, uma espécie de território onírico, com sonhos e pesadelos que pavimentam nosso caminho em busca de autoconhecimento.
Foto: Elena Mozhvilo

A arteterapia nos permite conversar com as personagens de nossa psique e nos leva às fronteiras da própria consciência com o inconsciente.

 

As artes e as expressões criativas em geral nos permitem acessar o inconsciente e descobrir aspectos de nossa própria natureza que precisam ser conscientizados, tornando-nos mais aptos para realizar as transformações que a vida nos impõe. Pintura, escultura, costura, desenho e escrita seriam atividades capazes de descortinar segredos — sentimentos, pensamentos, acontecimentos — que ocultamos de nós mesmos, mas que precisam ser “revelados”, sob o risco de virarem insuportáveis assombrações. É aí que encontramos a magia da arteterapia.

O resultado estético da produção “artística” é pouco relevante no processo analítico. O que vale é o processo em si, o que inclui as sensações que inspira em seu curso, as imagens psíquicas produzidas, o diálogo íntimo e a conversa ampliada com as imagens produzidas. 

A expressão criativa pode ser a exteriorização de um estado de ânimo incômodo que não nos traduz nem nos define, mas com o qual estávamos identificados. Ao colocá-lo para fora, é possível perceber que não somos o estado de ânimo nem o mal-estar que ele provoca. Assim, damos um passo na direção de compreender que estávamos sob o domínio dele e que reconhecê-lo autônomo é o primeiro passo no sentido de estabelecer uma relação mais harmoniosa consigo mesmo.

A arte nos permite, então, conversar com as personagens de nossa psique ao nos levar às fronteiras da própria consciência com o inconsciente, uma espécie de território onírico, com sonhos e pesadelos que pavimentam nosso caminho em busca de autoconhecimento.

“Muitas vezes”, escreveu Jung, “as mãos sabem resolver enigmas que o intelecto em vão lutou por compreender. Modelando um sonho, podemos continuar a sonhá-lo com mais detalhes, em estado de vigília, e um acontecimento isolado, inicialmente ininteligível, pode ser integrado na esfera da personalidade total, embora inicialmente o sujeito não tenha consciência disto.”

Para que fazer análise?

“O principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas, sim, ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento”,

Carl Gustav Jung

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