Psicossomática: o corpo como sintoma das vivências da alma

 A psicossomática junguiana é um caminho para desenvolver o olhar simbólico para o corpo, fazendo das doenças oportunidades de autoconhecimento e transformação. Ela não substitui nem combate terapias médicas consagradas, soma-se a elas na busca pela saúde integral do indivíduo.
Foto: Qimo (Kimo) Li

A psicossomática junguiana é um caminho para desenvolver o olhar simbólico para o corpo, fazendo das doenças oportunidades de autoconhecimento e transformação.

 

A psicossomática estuda a relação dos males físicos e mentais com as nossas atitudes e disposições psíquicas, o que inclui reações emocionais, valores socioculturais e espirituais. Sob o prisma da psicologia analítica, ao trazer a ideia de alma (psykhé) e corpo (soma), a psicossomática trata das moléstias como expressões corpóreas de experiências anímicas.

Separar corpo e alma, junguianamente falando, é impossível. Para compreendê-los como uma unidade, porém, é preciso olhar para o corpo simbolicamente, enxergá-lo como um palco metafórico de nossos dramas, tragédias, comédias e aventuras psíquicas.

Vivemos conflitos íntimos que nos provocam reações emocionais que, por sua vez, resultam em alterações físicas. O estresse no trânsito, a rejeição amorosa, a frustração profissional e o sentimento de viver uma vida que não traduz a própria essência costumam criar um estado de ânimo crônico que terá impacto na saúde física e mental dos indivíduos.

Nesse sentido, as doenças, acidentes e lesões podem surgir como chance de aprendizado sobre nós mesmos; autoconhecimento que amarrará e dará significado à maneira como enxergamos nossa história. Não se trata de castigo a um pecado, mas da conciliação de íntimos conflitos. Não se pretende, com esse olhar, a cura física, mas a descoberta de um sentido para experiência da dor e, com isso, a convivência mais harmônica consigo mesmo e com os inevitáveis sofrimentos da vida.

A psicossomática, na análise junguiana, é um caminho para desenvolver o olhar simbólico para o corpo, fazendo das doenças oportunidades de autoconhecimento e transformação. Ela não substitui nem combate terapias médicas consagradas, ao contrário, soma-se a elas na busca pela saúde integral do indivíduo.

Para que fazer análise?

“O principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas, sim, ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento”,

Carl Gustav Jung

Saiba mais